Durante entrevista coletiva concedida no final da tarde desta sexta-feira, 12, a secretária da Saúde do Estado de Goiás (SES-GO), Irani Ribeiro de Moura, anunciou que o Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia (Huapa) volta a receber internações. A decisão foi tomada após avaliação de um relatório prévio apresentado pela Comissão Especial que avalia o possível surto de infecção hospitalar na Unidade. “Profissionais capacitados avaliaram o Huapa e certificaram que é totalmente seguro para a população”, disse Irani Ribeiro de Moura.
O diretor-Geral do Huapa, Gelson José do Carmo, garantiu que das 33 solicitações da Vigilância Sanitária (Svisa) 32 foram atendidas e que apenas uma está em andamento por se tratar de procedimento arquitetônico e que a Unidade continua primando pela atenção à saúde e transparência no atendimento.
A Comissão Especial avaliou, em tempo record de 72 horas, inicialmente os dois casos divulgados pela imprensa e ficou comprovado que a causa dos óbitos não tem relação com infecção hospitalar. “Outros 124 prontuários serão avaliados na continuidade do trabalho da Comissão. O prazo para finalização não pode ser marcado precisamente tendo em vista que alguns prontuários chegam a ter mais de 500 páginas, e todas elas devem ser minunciosamente analisadas”, esclarece o infectologista e diretor-Geral do Hospital de Doenças Tropicais (HDT), Boaventura Braz de Queiroz.
Entenda os casos
Conforme explicado por Boaventura Braz de Queiroz, a paciente S. A não tinha relatório médico encaminhado pelo hospital que estava anteriormente internada quando chegou no Huapa, bem como não se tinha informação de uso prévio de antibióticos. Ela chegou a Unidade com presença de sepse com foco abdominal. Na secreção abdominal colhida foram encontradas duas bactérias E. Coli e Acinetobacter b, a primeira é típica no caso de apendicite bacteriana e a segunda é tipicamente de procedimentos hospitalares, como cirurgia, entubação e outros, que a mesma não tinha sido submetida no Huapa.
Com relação ao outro caso noticiado, a infectologista Mônica Ribeiro Costa explicou que A.S chegou no Huapa, no dia 12 de novembro de 2009, com quadro de abdome agudo de duração de sete dias e a cirurgia foi realizada no mesmo dia com diagnóstico pós-operatório de apendicite supurada. Após dois dias, o paciente solicitou alta sem recomendação médica. Ele retornou a Unidade no dia 27, do mesmo mês, com complicações advindas da saída precoce. Foi feita nova cirurgia e o paciente recebeu antimicrobianos de amplo espectro e foi encaminhado a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Porém, o caso evoluiu a óbito em 26 de dezembro, por choque séptico por abscesso intra-abdominal em decorrência da apendicite supurada. Também ficou descartada a hipótese de óbito por infecção hospitalar.
Huapa atende aos requisitos da Vigilância Sanitária
Assim que notificado sobre as alterações que deveriam ser feitas no Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia (Huapa), a diretoria da Unidade tomou as devidas providências para a adequação requisitada pela Vigilância Sanitária Estadual. Das 33 exigências, 32 já foram concluídas. Apenas uma está andamento: climatização e porta com tela para o setor de reanimação.
Exigências da Svisa
Itens concluídos
1. Reuniões entre os membros da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) com período previsto em legislação pertinente, todas devidamente registradas
2. Revisão pela CCIH e todos os setores da Unidade dos procedimentos estabelecidos
3. Implantação efetiva de todos POPs revisados
4. Aumentar a quantidade de empregados da limpeza
5. Designar áreas reservadas e exclusivas para guarda dos produtos de limpeza, preparação e diluição dos mesmos
6. Designar técnico de enfermagem para coordenar e supervisionar o setor de limpeza do Hospital
7. Desobstruir o acesso às pias de higienização das mãos dos profissionais do setor de Reanimação
8. Restringir a colocação de qualquer “enfeite” à recepção e setores administrativos
9. Organização, de forma funcional, do posto de enfermagem das enfermarias
10. Manter fechadas as portas das enfermarias com “precaução de contato”
11. Restringir o cuidado aos pacientes, aos funcionários do setor
12. Aquisição de capotes descartáveis, aprovados pela CCIH, em número suficiente
13. Aquisição de papel toala, aprovado pela CCIH
14. Aquisição de fitas para realização dos testes de concentração e pH do produto glutaraldeído
15. Aquisição de suporte, aprovado pela CCIH, para os recipientes de coleta de perfurocortante
16. Aquisição de sabão líquido, aprovado pela CCIH, adequado aos dispensadores de parede e a substituição dos dispensadores de sabão líquido estragados
17. Troca de todos os circuitos respiratórios utilizados, atualmente desinfectados, por outros, de material autoclavável
18. Mergulhar os instrumentos de todos os setores que os utilizam em solução detergente até o devido encaminhamento à CME
19. Utilizar frascos com doses individuais de PVPI
20. Instalação de um posto de enfermagem para o setor de Observação
21. Estabelecer o controle efetivo do uso racional de antimicrobianos
22. Reforçar as medidas de precaução padrão com: treinamento de higienização de mão, uso de luvas e abastecimento constantes dos dispositivos de álcool gel
23. Limpeza exaustiva dos leitos, equipamentos e todo o ambiente relacionado ao paciente
24. Utilização de antissépticos em todos os procedimentos de limpeza do ambiente
25. Trocar as atuais cortinas da UTI por cortinas de material que suporte limpeza frequente
26. Restringir os procedimentos de “precaução de contato” da UTI aos pacientes infectados
27. Adequar as limpezas concorrente e terminal da UTI à preconização dos POPs
28. Fazer funcionar, de forma adequada, o ar condicionado, principalmente nas áreas do Centro Cirúrgico e UTI do Hospital
29. Fechar a UTI para limpeza e desinfecção, se todas as medidas adotadas para controlar o surto falharem
30. Instalação do laboratório de Microbiologia no Hospital – o Lacen realiza os exames
31. Capacitação e treinamento dos funcionários de todas as áreas para implantação dos novos POPs
32. Reforço nas medidas de precaução de contato com: revisão dos utensílios utilizados pelos pacientes, cuidados com o material de fisioterapia, aparelhos de pressão, estetoscópio